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 LINGUISTICS & CULTURE


Autor:  PPAULO
E-mail:  não-disponível
Data:  17/JUL/2016 10:01 PM
Assunto:  subjuntivo -- for for thought
 
Mensagem: 

Fran, sinceramente não sei o que dizer nesse caso…


Mas me parece que há alguns fatores, ou pistas que elucidem ou expliquem (em parte) esse estado de coisas.

Há alguns anos, não é de hoje, o Brazil tem mantido uma política educacional cuja primazia é a apresentação de números, notadamente números de formados por faculdades.

Para isso, o primeiro e o segundo graus precisam fornecer alunos, não importa a qualidade. Daí segue-se que o aluno tem de ser promovido (passar de ano).

Na prática não se pode reprovar ninguém, ou pelo menos, reprovar o mínimo possível. O que dá ao aluno uma falsa idéia de que o mesmo realmente domina os conteúdos necessários.

O que se vê é que nesses primeiros degraus é que são um tanto desfavorecidos, e aí quem tem dinheiro vai colocar seu(s) filho(s) na escola particular.

Funcionava, até uns 15 anos atrás, agora a escola particular virou bagunça, muitas funcionam apenas como instituições comerciais (onde dá listas de livros, por exemplo, cujos assuntos não cobre no decorrer do ano). E as escolas que se destacarem, dá até briga para entrar nelas.

O que deveria ser a regra virou exceção.

Em algumas escolas até inventaram dois tipos de “segundo grau”, um com aulas prepatórias para o vestibular e outro simples.

Após essa fase, como o governo ainda dá uma certa prioridade para o ensino superior, o que acontece é que aqueles que pagavam pelo ensino vão para as faculdades públicas (na maioria melhores, com maiores recursos...e cobrança). Ao passo que aqueles que não pagavam agora vão pagar (por um ensino de efeito “placebo”).

Mas, como explicar alguém formado numa federal desconhecer alguns fundamentos de nossa língua-mãe?


Como eu disse há algumas pistas que poderiam explicar (não justificar):

-O foco do curso não ser nesse sentido, ainda que use a língua portuguesa como ferramenta de trabalho.

-O aumento de “interesses” extrínsecos e externos aos cursos. Tais como o dia-a-dia das pessoas que hoje é cheio de muita informação, Whatsapp, assuntos de trabalho que hoje são mais complicados, etc

-A excessiva confiança na Internet, em geral as pessoas pensam que “está tudo alí” portanto não é necessário ter conteúdo fixado (memorizado na cabeça). Isto acaba fazendo o cérebro ficar preguiçoso para dados de memórias de longo prazo. O que leva inclusive a pessoa a ficar dependente de tecnologias e “memory aids”. Um exemplo disso é o indivíduo estar viajando e o GPS quebrar, muitos simplesmente não estão preparados para isso.

-A compartimentalização dos assuntos de cursos, uma certa vez vi caso de professores de um cursinho ter que passar por um cursinho de português. Porém não são todos cursos preparatórios que conseguem perceber a necessidade.

-Os cursos de faculdade serem extensos e não haver uma “reciclagem” de assuntos, um aluno de Matemática na faculdade que está em ANÁLISE I ou II terá (se tiver) uma vaga lembrança dos rudimentos de Cálculo I (do começo do curso).

-Um problema que sempre esteve presente, que é ter que ensinar/aprender algo pulando etapas. Um exemplo é o próprio ensino de português sem comparar com outras coisas.

Por exemplo, os linguistas podem comparar umas línguas com outra ou com as línguas “originais”. Quem aprende inglês terá alguma facilidade com alemão e vice-versa, e nós temos mais facilidades com as línguas românicas/latinas.

-Não haver, em geral, programas como nos Estados Unidos (spelling bees) ou um orgulho geral (público) por aqueles que dominem a língua portuguesa.

De forma que hoje existe uma consciência de que saber falar e usar o português já basta.

-O abandono de algumas práticas que eram eficazes, como o uso de “ditados” na escola e os alunos terem que elaborarem redações.  


Isto também acontece quando se aprende inglês, passa-se a esquecer como é o uso de nossa própria linguagem. Algumas vezes ao traduzirem textos, vemos que isso acontece.


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