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 LINGUISTICS & CULTURE


Autor:  Marceli Fabri
E-mail:  marcelifabri@yahoo.com.br
Data:  27/FEV/2010 9:09 PM
Assunto:  O inglês que nos fez falhar?
 
Mensagem: 

Em primeiro lugar, sucesso comercial e popularidade não significam qualidade. São coisas que não estão necessariamente relacionadas. O fato da galera beber Coca-Cola não quer dizer que Coca-Cola é melhor do que suco de laranja. O fato da galera escutar música sertaneja, não quer dizer que esta seja melhor do que música clássica. O fato de todo mundo assistir novela e BBB, não quer dizer que estes sejam programas de valor educacional. Pensem no inço que cresce rapidamente e se alastra pela lavoura, às vezes sufocando o trigo que nos alimenta ..., como diz o webmaster deste site. Enfim, o mundo está cheio de ervas daninhas em franca proliferação ... Principalmente quando se trata de um serviço difícil de ser avaliado pelo cliente, como é o ensino de inglês. Para ilustrar o que digo, apresento aqui alguns depoimentos de pessoas que já buscaram ajuda neste site.

 

Depoimento 1: Já fiz vários cursos, inclusive me formei com mais ou menos uns 5 anos de curso de inglês. No momento estou fazendo um curso preparatório para o exame de Cambridge (FCE - First Certificate in English) e na verdade não consigo de jeito nenhum falar com as pessoas em inglês.
RL, 15/5/00

 

Depoimento 2: Gostaria de começar a dar aula de inglês; faço há 10 anos na escola *****, estou no último livro. Mas no momento estou com muitas dificuldades em pronúncia e com dificuldade na conversação. É normal isto para uma pessoa que faz 10 anos de inglês?
CA, 26/10/04

 

E depois ainda há escolas que oferecem “aula demonstrativa” …

 

Fonte: http://www.sk.com.br/aprendizado.ppt

 

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Em segundo lugar, wizards etc não possuem nenhuma "metodologia diferenciada". Devemos entender que o que caracteriza e define uma metodologia, não é o nome de um grupo de escolas nem um conjunto de meia dúzia de livros. É isto sim as teorias de linguística e psicologia cognitiva em que se fundamentam. Cursos de inglês no Brasil, em geral, usam a abordagem audiolinguística dos anos 50, quando o comportamentalismo de Skinner na área da psicologia e o estruturalismo de Saussure na área da linguística estavam na moda. Valorizava-se a língua na sua forma oral e acreditava-se que o aprendizado de línguas estaria relacionado a reflexos condicionados. A mecânica de imitar, repetir, memorizar e exercitar palavras e frases seria instrumental para se alcançar habilidade comunicativa. Esta visão acabou dando origem aos métodos áudio-orais e audiovisuais, baseados em automatismo e atrelados a planos didáticos tipo Livro 1, Livro 2, etc. Tais métodos não dependem de instrutores realmente proficientes na língua estrangeira, sendo fáceis de serem montados e comercializados, e baratos de serem mantidos, sendo por esta razão até hoje tão populares em cursinhos de inglês no Brasil.

 

Na verdade o "método wizard" foi copiado do método usado pela igreja Mórmon dos EUA para dar um rápido e superficial preparo aos jovens missionários antes deles viajarem para os países onde iriam exercer suas atividades. O "método" foi apenas adaptado para o ensino de inglês no Brasil e, ao longo dos anos, embora tenha sofrido pequenas modificações, nunca contemplou a evolução observada nas áreas da linguística (Chomsky) e da psicologia (Vygotsky, Piaget e Pinker) e o surgimento das abordagens comunicativas.

 

Um aspecto flagrantemente negativo do "método wizard" é o constante correlacionamento da língua materna com a língua alvo nos estágios iniciais. Isto leva ao fenômeno popularmente conhecido como "tradução mental", que não é mais do que a interferência da língua materna na língua alvo. A tendência de apelar para traduções mentais é a atitude natural de toda a pessoa monolíngue, ao se deparar com uma língua estrangeira. Por isto todo método de ensino de língua estrangeira eficaz deve ter como objetivo ajudar o aluno a eliminar o mais cedo possível a presença da língua materna. "Facilitar" o aprendizado para o aluno iniciante com frases da língua materna significa colocá-lo na direção errada e viciá-lo num mal difícil de ser eliminado posteriormente. Pode causar até a falsa impressão de rápido progresso, mas na verdade está comprometendo seu desenvolvimento futuro.

 

Meus parabéns à wizard. Nada melhor do que exportar uma franquia com um método chinfrim para a China para dar o troco a esse país que inunda nossas lojas com mercadorias baratas.


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O inglês que nos fez falhar?  –  Critic  27/FEV/2010, 5:27 PM
O inglês que nos fez falhar?  –  GrupoMulti  27/FEV/2010, 5:53 PM
O inglês que nos fez falhar?  –  Harina de una misma bolsa  27/FEV/2010, 6:30 PM
 O inglês que nos fez falhar?  –  Marceli Fabri  27/FEV/2010, 9:09 PM
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