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 LINGUISTICS & CULTURE


Autor:  Ricardo - EMB -
E-mail:  emb@sk.com.br
Data:  20/JAN/2003 6:17 PM
Assunto:  Re: Dilema
 
Mensagem:  Prezado José de Andrade,

O seu dilema é o mesmo de muitos e revela uma flagrante deficiência do nosso ensino. É inconteste que proficiência na língua da comunidade global é hoje uma qualificação básica do indivíduo, tanto para sua carreira acadêmica quanto profissional.

Sabemos hoje também que línguas são fenômenos essencialmente orais e que proficiência em língua estrangeira não é resultado de acúmulo de informações e conhecimento a respeito de regras gramaticais, nem de frases decoradas, mas sim habilidades fruto de convívio, de situações reais de interação em ambientes da cultura estrangeira. Dentro deste contexto, um professor de língua estrangeira que a fala com desvios e limitações seria equivalente a um professor de música que canta e toca desafinado. Portanto, a necessidade de um instrutor possuir uma proficiência equivalente a TOEFL 600, isto é, falar inglês (e escrever) fluentemente e sem desvios, trata-se não de opinião, mas de um fato incontestável.

O fato de muitos serem vítimas da ineficácia na formação profissional de professores de inglês, não é culpa deles nem do autor do artigo que você leu. Leia lt;http://www.sk.com.br/sk-perg15.html#385gt; para entender melhor a cadeia de erros cometidos, responsáveis por essa ineficácia.

Embora nosso Ministério de Educação já tenha demonstrado ter percebido o problema (veja Parâmetros Curriculares Nacionais - Língua Estrangeira Moderna) parece que nossa comunidade acadêmica ainda reluta em implementar as mudanças necessárias. Os ensinos fundamental e médio continuam inertes, atolados numa abordagem ao ensino da língua estrangeira quase igual à do início do século e carentes de professores proficientes na língua, enquanto os cursos superiores de letras no Brasil, formadores desses professores, continuam fazendo basicamente o que sempre fizeram.

A necessidade que a partir daí surge no mercado, é rapidamente explorada por uma larga maioria de empreendimentos geralmente motivados mais pela lucratividade do que pela vocação acadêmica, e sustentados por vultosas verbas publicitárias.

Quando defendemos a necessidade de uma profunda reforma no ensino de línguas no Brasil, nossas palavras podem não representar uma solução para seu problema ou para o problema de muitos outros, agora. Mas poderão, isto sim, representar uma solução para nossos filhos, se assim o desejarmos. É uma solução relativamente simples e barata. Basta as autoridades promoverem pequenos ajustes burocráticos para facilitar a criação de núcleos de convívio multiculturais em nossas escolas de ensino fundamental e médio, a exemplo das escolas internacionais encontradas nos grandes centros. A partir daí, convênios de intercâmbio com escolas do exterior possibilitariam a presença constante de falantes nativos de línguas estrangeiras. Esses núcleos de convívio multicultural em escolas da rede pública teriam também autonomia para estabelecer contato direto com organizações estrangeiras voltadas ao intercâmbio de jovens adolescentes, podendo oferecer para seus alunos mais destacados mas menos privilegiados oportunidades de intercâmbio no exterior a preço de custo, sem as altas taxas de intermediação cobradas pelas agências de intercâmbio brasileiras.

Em paralelo, deverão ser desenvolvidos novos currículos de cursos superiores em lingüística aplicada voltados à licenciatura de profissionais com preparo para implementar e coordenar os núcleos de convívio multicultural. Este novo profissional deverá ter, além de fluência sem desvios e competência cultural, conhecimentos nas áreas da psicologia cognitiva e lingüística aplicada (metodologia, lingüística comparada incluindo fonologia, vocabulário e sintaxe, ensino da língua mãe para estrangeiros, etc.). Requisito para conclusão do programa poderá ser um ou dois semestre de estudos no exterior, em país cuja língua e cultura irão futuramente ensinar. Veja nossa proposta com maiores detalhes em lt;http://www.sk.com.br/sk-gover.htmlgt;.

Quanto ao seu caso, não vejo plena justificativa para preocupação, pois se já alcançou o Certificado Michigan, deve possuir proficiência em inglês bem superior à média. Mesmo assim, se desejar desenvolver mais ainda, considerando que não lhe seja possível viajar ao exterior, só podemos lhe sugerir que procure ambientes que lhe proporcionem contato com a língua e a cultura estrangeira em sua cidade e busque se utilizar de recursos como programas de TV em inglês, filmes, etc.

Acredito ser perfeitamente possível se alcançar um alto nível de proficiência sem viajar ao exterior. Devemos sempre nos lembrar, entretanto, que diferentes pessoas têm diferentes ritmos de assimilação bem como alcançam diferentes tetos.

Boa sorte.
Ricardo


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Índice de mensagens


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Dilema  –  David José de Andrade Silva  19/JAN/2003, 10:10 PM
Re: Dilema  –  Ricardo Bomfim  20/JAN/2003, 10:23 AM
É isso aí!  –  David José de Andrade Silva  23/JAN/2003, 1:25 AM
Re: Dilema  –  Ran  20/JAN/2003, 3:16 PM
Dilema?  –  David José de Andrade Silva  23/JAN/2003, 1:18 AM
Re: Dilema?  –  Ran  26/JAN/2003, 8:57 PM
 Re: Dilema  –  Ricardo - EMB -  20/JAN/2003, 6:17 PM
Re: Dilema  –  José Roberto  20/JAN/2003, 9:08 PM
Valeu!  –  David José de Andrade Silva  23/JAN/2003, 1:06 AM
Agradecimento  –  David José de Andrade Silva  23/JAN/2003, 12:54 AM

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