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 LINGUISTICS & CULTURE


Autor:  Ferreira Filho / José Pedro
E-mail:  ffodescom@ig.com.br
Data:  10/MAI/2003 6:45 PM
Assunto:  Será um dia o Brasil um país 'bilíngüe'?
 
Mensagem:  Professor Ricardo,
A despeito de sua brilhante e completa resposta a Adriana do Amaral lt;http://www.sk.com.br/sk-perg4.html#148gt; em Sep 19, 98, eu lhe pergunto:
Conseguirá o Brasil ser um país “bilíngüe” um dia ? Penso que não.
Meu nome é Ferreira Filho - José Pedro, sou eng civil e militar da reserva da Aeronáutica.
Primeiramente, parabéns pela competência de seu trabalho. Acessei seu website há uma semana (já estou bem adiantado na leitura de tudo que ali foi tratado) e gostaria de expor minha longa experiência no aprendizado “torto” da língua inglesa e perguntar-lhe se é possível ensinar inglês na sua forma oral, dispensando totalmente os textos escritos? Será que alguém neste país ousou tal coisa? Em outros países, deduzo que sim.

I - Sozinho, habilitei-me a ler e escrever em inglês, adquirindo todos os defeitos possíveis e imaginários na pronúncia. Também consigo ler, escrever e traduzir textos, mas na hora de falar é aquele desastre. Tentei todos os recursos para adquirir o domínio da língua; primeiro, debrucei-me (a partir de 1995) em dois livros “Elementary e Intermediate” de Raimundy Murphy – Cambridge University, tendo resolvido todos os seus exercícios. Fiz o mesmo ao adquirir a excelente Gramática Prática da Língua Inglesa (O Inglês Descomplicado) do Prof. Nelson Torres. Supondo possuir o domínio da escrita e da leitura (apenas meramente alfabetizado), freqüentei em 1999, uma turma Advanced em conversação de um escola tradicional de inglês e fiquei pasmo ao constatar que todos os 12 jovens que já freqüentavam tal escola a mais de 06 (seis) anos ainda aprendiam gramática e nenhum conseguia falar com desenvoltura. Desisti já na primeira semana ao perceber que nada mudara e que os cursos não sabem “mesmo” ensinar o aluno a falar de uma maneira natural e rápida (6 a 24 meses), confirmando o que havia descoberto há 35 anos atrás, quando freqüentei os primeiros seis meses de um curso de inglês em escola franqueada famosa e tradicional, onde só não considero haver jogado dinheiro fora porque o então Prof. Vicente possuía excelentes qualidades como mestre e conseguiu me contagiar com seu entusiasmo pela língua inglesa. Por isso eu jamais desisti e sempre, aqui e ali, trabalhava algum texto. Em 1999 contratei um professor particular para ajudar-me na pronúncia e instalei há dois anos, TV a cabo na minha residência e fico plugado direto na CNN e em canais com filmes em inglês, o que tem ajudado notadamente na minha audição.
Há dois meses freqüento uma escola independente aqui em Manaus, ressaltando que só me matriculei após constatar, para minha surpresa, que seus alunos que ora estão concluindo o básico (7 meses) já possuem um bom domínio verbal. Já na próxima semana inicio nesta turma o 2o nível “Intermediário” para, após 08 (oito) meses, prosseguir (numa turma 100% de conversação “In English”) por mais 09 (nove) meses, quando todos terão domínio da fala, porque desde a 1a aula (do básico) há participação ativa dos alunos para que possam começar a desenvolver a habilidade de transformar seus pensamentos em linguagem. Deixo aqui meu endereço eletrônico para aqueles que porventura desejarem saber o nome da escola, principalmente as colegas de infortúnio Izabel Konno e Zilmar Lima, esta, daqui de Manaus, que poderia checar in loco minhas informações (descomath@ibest.com.br), esclarecendo que tal escola já possui representações em mais 12 (doze) estados do país. O fundador da escola, Prof. Marquez, além de poliglota possui excelente formação acadêmica, humanística e religiosa, aliada à sua vasta experiência vivenciada em muitos estados brasileiros e vários países de língua inglesa onde residiu por muitos anos, faz com que estejam reunidos aqui a tríade: “método x professor x aluno”.
Enfim, estou deveras ansioso para, num futuro breve poder constatar mais qualidade e menos marketing no ensino de inglês, a exemplo do ocorreu no Brasil após o fim da reserva de mercado quando a concorrência além de derrubar os preços, permitiu que só ficassem no mercado aqueles que buscaram eficiência e qualidade, trazendo enormes benefícios ao povo. Aí sim, deixarei de falar, com muita alegria, o seguinte: “A continuar com este “status quo” o Brasil jamais será um país bilíngüe, uma vez que os cursos fingem que ensinam os alunos a falar o Inglês e estes fingem que estão aprendendo e tudo fica como antes nas terras de Abrantes”. Que Deus nos abençoe.

II - Nas escolas franqueadas, quando algum pai vai reclamar do lento ritmo do curso, ele sempre ouve que é do método, que o aluno está recebendo muito conteúdo e que no tempo certo ele aprenderá. Não duvido que sim, quanto à parte gramatical, mas porque 6 a 12 anos para ensinar algo que não precisa mais do que 6 a 24 meses (na escola que ora freqüento, os alunos em apenas 07 (sete) meses, concluíram toda a parte gramatical básica, conhecem e dominam todos os verbos nos seus tempos verbais). Isto me trás a lembrança de um questionamento feito ao meu filho de 8 (oito) que já freqüentava um curso em escola franqueada tradicional e famosa por mais de 3 (três) anos: “dear, I asked him- In this moment we are having a breakfast, ok? What were we doing yesterday in this exactly moment ? ” Ele respondeu-me que entendera a pergunta, porém disse que não saberia responder no passado porque só aprenderia mais tarde. Como é que vou lidar com uma coisa dessas? Quer dizer que você tem que esperar o futuro para aprender o passado? Isto basta para provar que tudo está errado, uma vez que a irmãzinha dele na época com pouco mais de 2 (dois) anos, falava em português, é claro. Papai, ontem, a esta mesma hora nós estávamos tomando café, lembra-se? (desculpem o exagero), mas imaginem se tivéssemos que esperar tanto tempo para, na língua pátria, aprendermos a nos referir ao passado? Hoje tenho convicção de que é possível ensinar qualquer língua sem o apoio da escrita, senão vejamos - o professor que em 1999 deu-me uma grande ajuda quanto a conversação e pronúncia, disse-me que morou na Alemanha por 01 (um) ano e naquele período aprendera falar a língua alemã com um professor que só falava alemão e como ele que por sua vez, naquela ocasião, só falava português, conseguiu dominar e falar fluentemente a língua alemã numa situação dessa e em apenas 01 (um) ano? É simples, o professor apenas ensinou-lhe a falar sua língua materna usando o mesmo processo que os pais usam para ensinar os filhos falar, tal que desde os primórdios jamais o método foi mudado e funciona para qualquer língua e por isso, toda criança aos 03 (três) anos já é tagarela em qualquer língua. Assim, é preferível somente aprender falar qualquer língua, mesmo sendo nela analfabeto, porque a qualquer momento pode-se reverter o quadro, aprendendo a gramática até mesmo sozinho, do que ser letrado e ter de enfrentar tanta dificuldade para dominar a fala. Em assim sendo, “ HOJE EU SERIA UM ANALFABETO FELIZ”. Muito obrigado.
Ferreira Filho lt;ffodescom@ig.com.brgt; Abr 30, 2003.


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 Será um dia o Brasil um país 'bilíngüe'?  –  Ferreira Filho / José Pedro  10/MAI/2003, 6:45 PM

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