MARKETING NA EDUCAÇÃO
Ricardo Schütz
Atualizado em 6 de junho de 2014

ManipulaçãoO conceito e a função de marketing originalmente eram de adequar a atividade empresarial às necessidades e preferências do consumidor. Hoje, entretanto, este conceito encontra-se pervertido e a função de marketing se inverteu. Ao invés da empresa adaptar-se ao consumidor, o marketing atual busca adaptar o consumidor ao objetivo da empresa.

Marketing portanto se transformou na arte de manipular a opinião alheia para se alcançar um resultado desejado e não se limita mais ao comércio de bens de consumo. Interfere hoje na educação e na política. Noam Chomsky conceituou e explicou claramente em seus trabalhos "Media Control" e "Manufacturing Consent" o marketing político como instrumento de manipulação da opinião pública usado por governos para obter o apoio político desejado – um dos grandes males surgidos no século 20. As pessoas especializadas nesta atividade hoje são chamadas de marqueteiros.

Toda e qualquer tentativa dissimulada de influir na opinião alheia é antiética por natureza, a não ser que esteja fundamentada em informação idônea.

Marketing comercial é a utilização Marketing abusivodos mesmos princípios Telemarketingpara manipular a opinião e o comportamento do consumidor. Suas formas mais intrusivas – o spam, o telemarketing, os carros com alto-falantes causadores de poluição sonora, os cartazes de rua causadores de poluição visual, etc. – são todas desrespeitosas e desnecessárias. Além disso, são encarecedoras do serviço, pois seu custo obviamente é repassado para o cliente.

Marketing hoje é a arte de enganar desviando a atenção do essencial para o cosmético. Não passa de fachada; embalagem, descartável por natureza. Marqueteiro pensa assim: se não dá para mexer no conteúdo, ou nem se quer havendo conteúdo, o negócio é investir na embalagem.

Na área da educação, o sucateamento do ensino público e a filosofia de competitividade que predomina na sociedade atual criam um mercado fértil que passa a ser explorado por escolas particulares. Tanto a educação básica, como o ensino superior, passam a ser disputados por escolas-empresas numa concorrência acirrada que inclui o desvio de recursos para iniciativas de marketing.

No mercado do ensino de línguas, a globalização traz uma necessidade urgente de se dominar o inglês e cria um mercado que cresce rapidamente e torna-se vulnerável ao interesse comercial de uma prestação de serviços muitas vezes improvisados e amadores. Uma vez que é difícil para quem ainda não fala a língua estrangeira avaliar a qualidade do que lhe é oferecido, o mercado torna-se um campo fértil para o marketing comercial.

Verba publicitária É aqui que entra, oportunisticamente, a utilização da marca sustentada por uma forte verba publicitária e do pacote didático. O pacote padronizado facilita a disseminação da empreitada, a propaganda impulsiona as vendas, as quais garantem o lucro. A ineficácia do esquema leva tempo para ser percebida; é comum o aluno estudar dois anos ou mais para se dar conta de que o método não deu o resultado prometido.

O resultado da receita preconizada deixa a desejar porque proficiência em línguas é habilidade funcional, fruto de contato com situações reais de comunicação, de convívio humano em ambientes da língua e da cultura que se deseja aprender, e não esforço intelectual aplicado sobre um plano didático ou sobre exercícios repetitivos de memorização.

Portanto, marketing na educação, assim como ele existe hoje, não só é desnecessário, como indesejável.

Custo da verba publicitária e da taxa de franquia são repassados para o cliente.

Não é para menos que o MEC, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), publicou em maio de 2014 Nota Técnica que trata sobre publicidade e escola. Nesta Nota Técnica, o MEC considera abusiva a publicidade e a comunicação mercadológica dirigidas às crianças em unidades escolares das redes municipais e estaduais de ensino no país.


COMO RESTAURAR A VERDADEIRA FUNÇÃO DO MARKETING NA EDUCAÇÃO?

Em primeiro lugar, temos que resgatar o conceito original de marketing – o de ser aquela política norteadora da atividade empresarial em direção ao interesse do cliente e do meio social em que atua.

A publicidade de uma escola deve se limitar a informar sem persuadir. Mensagens publicitárias não devem ter por objetivo criar falsas necessidades, mas apenas informar sobe a capacidade da escola em suprir necessidades genuínas. As mensagens não podem ser desprovidas de conteúdo informativo, e a informação deve ser idônea e relevante, sempre de encontro ao interesse do público-alvo. Escolas não devem usar mídias intrusivas como spam, o telemarketing, carros com alto-falantes causadores de poluição sonora, cartazes de rua (outdoors) causadores de poluição visual, etc.

Veja aqui um modelo de propaganda impressa usado pelo principal patrocinador deste site.

Veja aqui uma série de vídeos usados na divulgação do trabalho do principal patrocinador deste site.


O QUE SIGNIFICA APRENDER INGLÊS  
COMO ABRIR UMA ESCOLA DE INGLÊS  
UMA BIBLIOGRAFIA INDISPENSÁVEL  
CONHEÇA A HISTÓRIA DO JOSÉ CARLOS  
FRAQUEZA DO NOSSO SISTEMA EDUCACIONAL  
OS RUMOS PARA O ENSINO DE INGLÊS NO BRASIL  
COMO ESCOLHER ESCOLAS DE INGLÊS NO EXTERIOR 
CONHEÇA AQUI A EQUIPE DE COLABORADORES DESTE SITE 

Não deixe de citar a fonte. Diga não ao plágio.
O uso dos materiais publicados neste site é livre. Pedimos apenas que todos respeitem a ética acadêmica citando a fonte e informando o endereço do site, para que outros possam também explorá-lo bem como ter acesso às atualizações e complementações que fazemos diariamente.

COMO FAZER UMA CITAÇÃO DESTA PÁGINA:

Schütz, Ricardo. "Marketing na Educação ." English Made in Brazil <http://www.sk.com.br/sk-marke.html>. Online. 6 de junho de 2014.

Observe que ao citar textos encontrados na Internet, é necessário colocar a data, devido às freqüentes alterações que os mesmos podem sofrer.

Menu principal de English Made in Brazil