English Made in Brazil
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ARQUIVO 17 - PERGUNTAS  E  RESPOSTAS  DE  OUTUBRO A DEZEMBRO 2001

Este foro é aberto ao público. Todos são convidados a perguntar, questionar, divergir, opinar, ou esclarecer. Mande suas consultas e opiniões para um dos endereços abaixo e nós responderemos com a maior brevidade possível. As mensagens de interesse geral, juntamente com as respostas, serão publicadas com o nome do autor. Consultas em inglês serão respondidas em inglês; consultas em português serão respondidas em português. Respostas já publicadas podem sofrer revisões.

As opiniões aqui emitidas não são de responsabilidade do patrocinador deste site.

Conheça aqui a equipe do English Made in Brazil

Q#446: Audiolingual
Olá Estou fazendo minha monografia sobre o método audiolingual para conclusão na minha pós-graduação em Linguística Aplicada a Língua Inglesa e gostaria de pedir se vocês disponibilizam de algum material que possa me auxiliar.
Obrigado. Petulia Pazini <pazini_pr*yahoo.com.br> Dec 26, 01

Prezada Petulia,

O método audiolingual foi muito usado nos anos 60 e 70, mas hoje é considerado parcialmente ultrapassado, útil apenas como complemento das abordagens comunicativas. Um aspecto muito importante no desenvolvimento de materiais audiolinguais é o estudo comparado dos dois idiomas. Sobre análise comparada do português e do inglês, você encontra amplo material em nosso site, abrangendo pronúncia, vocabulário e sintaxe.

Minha sugestão, entretanto, é que você direcione sua pesquisa para o Natural Approach e investigue abordagens que se baseiam mais em psicologia. Leia sobre o pensamento de Vygotsky e conheça a Hipótese Acquisition - Learning de Krashen.

Atenciosamente, Ricardo - EMB


Q#445: Artigos indefinidos - uma explicação fonológica
Olá, Ricardo. Eu conheço o uso correto dos artigos "A" "AN", mas além do que já se sabe (antes de vogais e consoantes), existe uma explicação fonológica sobre o porquê da existência de duas formas para o artigo indefinido?
Thank you, Ricardo. "Carlos Ney" <ney*cybersystem.com.br> Dec 13, 01

Prezado Carlos,

Sem dúvida, poderíamos oferecer uma lógica e provável explicação fonológica para a existência de dois artigos indefinidos.

Enquanto que o português é abundante na ocorrência de vogais e combinações de vogais (ditongos e tritongos) ex: Eu sei que o Áureo vai ao Uruguai e o João ao Paraguai, o inglês não possue tritongos, possue poucos ditongos e se caracteriza por ser rico na ocorrência de consoantes. Ex: December is the twelfth month of the year. Dada essa característica fonética da língua, teria surgido a forma "an" para ser usada com palavras iniciadas em vogal como "apple" e "orange" de forma a evitar a justaposição de vogais, de difícil articulação e desagradável aos ouvidos do falante de inglês.

Embora tenha lógica e faça sentido, esta hipótese esbarra no argumento etimológico. Acontece que a origem do artigo indefinido está no numeral "one" do Old English, que a partir do Middle English começou a ser usado numa forma abreviada na função de artigo indefinido, e só posteriormente teria surgido a forma mais abreviada "a". (É curioso obrervar que no português até hoje uma mesma palavra - "um" - cumpre as funções de numeral e artigo).

Ainda assim, entretanto, poderíamos apresentar uma explicação para a existência das duas formas de artigo sob a luz da fonologia. Só que agora, seria mais lógico argumentar que o surgimento da forma "a" deve-se a um processo de simplificação - a eliminação da consoante do artigo para evitar a justaposição de consoantes quando a palavra que segue já inicia com consoante.

A conclusão é que línguas - este fenômeno inerente ao ser humano - são iguais a ele próprio: irregulares, complexas, repletas de ambigüidades, em constante evolução aleatória e incontroláveis. Por esta razão nem sempre encontraremos uma explicação lógica e satisfatória para os fenômenos observados.

Atenciosamente, Ricardo - EMB


Q#444: Como se tornar professor
Este é de longe o melhor site que já encontrei sobre a língua inglesa. Sou professor e, sempre que julgo adequado, não hesito em recomendá-lo aos meus alunos e colegas professores. O English Made in Brazil tem sido uma referência para mim.
Tenho 24 anos e escrevo para pedir algumas sugestões sobre a melhor forma de direcionar a minha carreira/formação como professor de inglês. O meu perfil é o seguinte: tenho os certificados de proficiência Michigan e Cambridge (CPE), vivência no exterior (5 meses nos E.U.A no primeiro semestre de 2001), formei-me em psicologia pela PUC no ano de 2000 e dou aulas de inglês desde agosto deste ano em duas escolas de idiomas em São Paulo. Apesar de ser bacharel em psicologia e não em letras, sou apaixonado pela língua inglesa e é com ela que desejo trabalhar o resto da minha vida. A médio prazo, pretendo fazer um mestrado em TEFL no exterior. As minhas dúvidas são as seguintes:
1) Você julga necessário que eu curse uma outra graduação, desta vez em Letras?
Muitíssimo obrigado, José Vicente <zvicente*uol.com.br> Dec 9, 2001
Prezado José Vicente,
Obrigado por sua participação.
Você já tem a formação básica ideal para o ensino de inglês. Aprendizado de línguas se situa muito mais num plano pessoal-psicológico do que num plano técnico-didático. Noam Chomsky, por exemplo, considera a lingüística como uma área de estudo dentro da ciência da psicologia. Na minha opinião, você poderia escolher e fazer apenas algumas cadeiras do curso de letras. A julgar pelo que a maioria oferece, você acabaria perdendo tempo e dinheiro se fizesse o curso completo.
2) Eu posso lecionar inglês em escolas de primeiro e segundo graus, bem como em faculdades, não sendo bacharel em Letras? Em caso negativo, um mestrado em TEFL me habilitaria a isso (ainda sem o diploma de bacharel em letras)?
 
Burocracia não é nossa área de especialização nem de interesse. Portanto, não sabemos que tipo de documento você precisa portar. Acreditamos, isto sim, que instituições de ensino devam ter autonomia para escolher. Não se esqueça que, nessa área, ter credencial não significa ter competência. Se você tiver competência mas deixar de ser aceito por falta de credencial, é porque naquela instituição a burocracia fechou as portas à competência e naquele ambiente você provavelmente não iria se realizar mesmo que tivesse sido aceito.
3) Levando-se em conta o meu perfil e o fato de eu já ter o Michigan e o CPE, que outras qualificações (que contribuam para a minha formação de professor de inglês) eu posso almejar aqui no Brasil?
Praticamente nenhuma. Não é o fato de você ter feito os testes Michigan e CPE, mas sim de ter convivido em ambiente de língua e cultura estrangeira no exterior e de ter alcançado proficiência nessa língua que, junto com sua formação acadêmica em psicologia, lhe credenciam. Na minha opinião você deve procurar apenas aprofundar essa experiência de convívio em países cuja língua e cultura pretende transmitir. Tanto melhor se você puder aliar isto a um mestrado em TEFL. Leia aqui mais sobre isso.
Atenciosamente, Ricardo - EMB

Q#443: Quanto tempo dura o curso?
Oi pessoal! sou coordenador de uma escola de línguas em Manaus. Essa já deve ser a 5a. vez que busco auxílio de vcs. Vi em sua resposta que prederteminação de tempo não é bom, então como deveria funcionar a minha escola se meu objetivo é ser bem claro com todos aqueles que a procuram, quando eles me perguntarem quando tempo dura o curso e eu dizer "depende". Não seria dar um pouco de descrédito a nós mesmos, impreciso? Por outro lado, sempre deixamos claro que o prazo de dois anos e 6 meses é para alunos com um bom aproveitamento em todas as fases. Então dizemos que nosso curso dura 2 anos e 6 meses como referência e não predeterminação.
De qualquer forma gostaria de lhe ouvir. Muito obrigado! Genival <smartfriends*globo.com> Nov 23, 2001
Prezado Genival,
Se você tivesse uma academia de tênis e alguém lhe perguntasse quanto tempo levará para vencer seu primeiro campeonato ou para se tornar um profissional com o treinamento que vai receber, o que você responderia?
É uma pergunta que revela tanto desconhecimento quanto a pergunta que freqüentemente se ouve: "quanto tempo dura o curso?"
Com paciência, você deve explicar que cada pessoa tem seu ritmo de desenvolvimento, o qual pode variar muito e depende de vários fatores. Leia, copie e distribua nossa página O que é talento?
O que você pode afirmar é que seu curso dura 5 semestres, ou seja, que o plano didático que você segue, a receita que você prescreve, é de 5 semestres, mas não que o aluno alcançará fluência em 5 semestres. Se você deixar isto bem claro, não será uma demonstração de descrédito mas sim de conhecimento e honestidade. Cursos podem durar o tempo que seus idealizadores quiserem (quanto mais rápidos, mais suspeitos) mas isso não é medida de eficácia. Ao invés de predeterminar o tempo, mais inteligente e eficaz seria se certificar que seus instrutores realmente falam inglês com fluência e naturalidade, que são extrovertidos e hábeis em construir relacionamentos de amizade com os alunos, dar-lhes liberdade de improvisar na sala de aula e mesmo fora dela, garantir que os grupos sejam pequenos e homogêneos, para então poder dizer que seu programa cria as condições ideais para que os alunos desenvolvam familiaridade com a língua inglesa e sua cultura e a habilidade de se comunicarem em ambientes da língua inglesa.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB

Q#442: Propaganda enganosa
Oi, tenho uma escola de línguas de médio porte em Manaus-AM. Gostaria de saber a opinião de vcs sobre curso rápidos, ou seja aqueles que prometem fluência em 3 ou 9 meses ou coisas desse tipo. Aqui há um desses que diz que o aluno terá fluência em 8 meses e no 9º mês ele já vai fazer a especialização. Isso torna muito difícil o nosso trabalho pq nosso curso tem duração de 4 anos, sabemos que quando se fala em 3 ou 4 anos as pessoas reagem como se fosse a pior coisa passar 4 anos num curso de línguas. Eu até vi na TV um outro curso que se chama video phonics, ele trabalha com videos e filmes famosos, esse vai mais além, ele diz que em 3 meses a pessoa aprende muito mais do que qualquer outra escola possa ensinar. Então estamos pensando em adotá-lo experimentalmente durante 3 meses com novas turmas. Por favor nos digam alguma coisa, temos urgência. Somos muito gratos pela ajuda que possa vir!
Genival <smartfriends*globo.com> Nov 7, 01

Prezado Genival,
Obrigado por sua participação.

Qualquer afirmação do tipo que você relatou é enganosa por natureza, uma vez que o ritmo de desenvolvimento de proficiência em língua estrangeira pouco depende do método de ensino empregado. Depende, isto sim, do tempo de exposição à língua (em ambientes naturais e autênticos de comunicação), bem como do talento individual de cada pessoa. O máximo que uma escola pode dizer é que procura oferecer as condições ideais para que o aprendiz desenvolva sua proficiência e deve explicar os porquês. Qualquer promessa além disto é enganosa e desonesta.

Seu relato vem reforçar aquilo que há mais tempo estamos denunciando: frente à ineficácia do ensino de línguas nas escolas de ensino fundamental e médio, a crescente necessidade de proficiência em inglês acaba sendo explorada por uma larga maioria de empreendimentos freqüentemente motivados mais pela lucratividade do que pela vocação ou competência e sustentados muitas vezes por vultosas verbas publicitárias, muitas enganosas como as que você está testemunhando. Ums projetam suas marcas revestidas por frases de efeito porém com pouco conteúdo, enquanto que outros enfatizam aspectos sem relevância do tipo "ar condicionado" ao mesmo tempo em que omitem informações relevantes como, por exemplo, a identidade e a qualificação pessoal de quem ensina. Tudo isso são fatos que fazem com que as pessoas cada vez mais duvidem da propaganda.

O cliente é sempre uma presa fácil: tem uma necessidade urgente ao mesmo tempo em que não tem como avaliar a curto prazo a qualidade do que recebe.

Se eu fosse você, não me influenciaria nem perderia tempo testando isso que você viu na TV. Tudo que você puder investir deve investir em instrutores.

Finalmente, leia e oriente seus alunos a lerem nossas páginas sobre O que é aprender inglês e Como escolher programas de inglês no Brasil.
Ainda sobre propaganda enganosa, veja: Neurolingüistics and Wizard Brasil.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB


Q#441: A importância do livro
Prezados Senhores,
É possível obter alguma informação sobre os critérios para adoção de livros de inglês para o ensino médio nas escolas brasileiras? Grata
Profa.Solange Puntel Mostafa <smostafa*terra.com.br> Oct 30, 01

Prezada Solange,
Em primeiro lugar, uma vez que a língua na sua forma oral é mais importante para o aluno iniciante do que a língua na sua forma escrita, a importância dos materiais impressos a serem usados em aula é secundária. Talvez exagerando um pouco, preocupar-nos com o material a ser usado seria como preocupar-nos com a bola ou com a chuteira que o jogador de futebol deve usar.
Como norma geral, qualquer material que for de interesse do aluno e que servir de estímulo para comunicação oral é bom. Conheço escolas de inglês, bem estruturadas, que mantêm uma minibiblioteca com vários livros, os quais estão à disposição dos instrutores. Estes, ou buscam na Internet ou servem-se dos livros e fazem cópias para distribuir aos alunos daquilo que acham mais apropriado para cada ocasião.
Uma observação importante é de que normalmente os materiais de ensino usados são incompletos no sentido de que oferecem uma descrição genérica da estrutura da língua, não levando em consideração diferenças específicas entre o português e o inglês. Portanto, é importante complementá-los, apresentando aos alunos esses contrastes.
Veja um estudo superficial de contrastes gramaticais entre português e inglês em nossa página Contrastes Gramaticais e não deixe de oferecer a seus alunos orientação quanto à importância da língua na sua forma oral e a importância da pronúncia no estudo do inglês. Sobre isso veja Pronúncia. Não deixe de ler também uma série de perguntas e respostas sobre materiais de ensino no índice desta seção.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB


Q#440: Defendendo as franquias
Prezados Senhores,
Gostaria de questionar a posição dos senhores quando afirmam que as escolas de redes de franquias são mais comerciais do que acadêmicas. Todo o conhecimento que adquiri, tanto cultural quanto educacional, vem dos estudos que tive em uma escola de inglês pertencente a uma rede de franquias. Os senhores não estariam generalizando? Aguardo resposta. Helton Tavares dos Santos <htsantos*yahoo.com> Oct 29, 2001
Prezado Helton,
Obrigado pela visita ao nosso site.

O que questionamos é a idéia de franquear pacotes didáticos para uma área do desenvolvimento humano que depende essencialmente de criatividade não padronizada.

O fato de estarmos identificando o quadro existente no ensino de línguas no Brasil e de estarmos alertando o público contra a publicidade em massa desprovida de informação específica e relevante, ao mesmo tempo em que oferecemos orientação na escolha de programas de inglês, não significa que não possam haver escolas franqueadas com pessoas qualificadas. Significa apenas que não é o nome nem o livro que as torna de qualidade. Significa também que ao optar, o cliente deve desconfiar daquelas opções que investem muito em mídia e investigar o que é realmente relevante: a pessoa do instrutor.

Portanto, somos na verdade contra a generalização - essa generalização da mensagem publicitária enganosa que procura fazer o público acreditar que todas as escolas sob a mesma cor e logomarca são iguais e de qualidade.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB


Q#439: Attributive, predicative & postpositive adjectives
Prezado Professor,
Sou estudante do curso de Letras, I have a question. Could you help me? I have a lot of difficulty to understand the syntactic functions of adjectives, eu gostaria de saber quando eles são Attributive, Predicative, Postpositive, e quando o adjetivo funciona como head of noun phrases e também quando o adjetivo pode ser attributive only e predicative only?. Eu já pesquisei esse assunto na gramática A Grammar of Contemporary English by Randolph Quirk et al, mais eu não conseguir entender. Você poderia me explicar esse assunto que é tão confuso? Você não só tiraria a minha dúvida, como a dúvida de tantos outros estudantes de Letras e até de professores da Língua Inglesa que também possuem dúvidas nesse assunto. Muito obrigado, Maria do Socorro Segal <esegal*ig.com.br> Oct 28, 2001
Prezada Maria do Socorro,
De acordo com Quirk et al, attributive é aquele adjetivo que modifica, que caracteriza o substantivo a que se refere e vem posicionado à sua frente. Ex: old dog, beautiful house.
Predicative são os adjetivos que funcionam como complemento verbal, isto é, completam com qualidade adicional. Ex: The dog looks old. The house is beautiful.
Postpositive são adjetivos que vêm posicionados após o substantivo ou pronome que modificam. Ex: something useful, attorney general.
Adjetivos normalmente podem apenas modificar the head of a noun phrase (que normalmente é um substantivo) e não figurar como head of a noun phrase. Ex: The beautiful girl in jeans. Neste exemplo o substantivo girl é a "cabeça" da frase-substantivo. Entretanto, excepcionalmente, determinados adjetivos, que normalmente referem-se a categorias de pessoas, podem funcionar como se fossem substantivos. Poderíamos chamá-los de "adjetivos substantivados". Ex: The innocent are often deceived by the unscrupulous.
Poderem ser usados como attributive e predicative, é qualidade normal dos adjetivos. Neste caso são chamados de central adjectives. Ex: beautiful house, the house is beautiful.
Excepcionalmente, entretanto, alguns adjetivos ocorrem apenas como attributive, enquanto que outros apenas como predicative. Neste caso são chamados de peripheral adjectives.
Exemplo de predicative only: * afraid people, the people are afraid.
Exemplo de attributive only: utter nonsense, * the nonsense is utter.
Desculpe a curiosidade, mas além do exercício intelectual, qual seria a utilidade deste estudo?
Atenciosamente,
Ricardo - EMB

Q#438: A receita que dá certo
Aprendi inglês quando era criança e consegui uma boa fluência. Posso dizer que falo com naturalidade e sem sotaque. No entanto, tenho grande dificuldade em explicar gramaticalmente a razão de um tempo verbal ou uma regra gramatical para outros já que tenho esses conceitos de maneira intuitiva. Estou começando a me preparar para ser instrutora de inglês e gostaria de algumas dicas de vocês para superar as dificuldades
Mônica <spazio*redemedicina.com.br> Oct 28, 2001

Prezada Mônica,
Obrigado por sua participação.
Seu depoimento é extremamente ilustrativo. O fato de você ter adquirido fluência em inglês mas não saber ainda explicar o funcionamento da língua sob o prisma da gramática, é prova irrefutável de que proficiência na língua não depende de conhecimento gramatical. Portanto, não se preocupe em transmitir a seus alunos aquilo que nem sequer fez falta a você até hoje. Procure, isto sim, criar condições semelhantes às que você teve para assimilar inglês. A mesma receita que deu certo com você, ou a mais parecida possível, é a que você deve prescrever para seus alunos.

Ao se preparar para ser instrutora de inglês, nossa recomendação é de que aprofunde seus estudos na área da psicologia. Estude sobre autoconfiança, pesquise formas de se criar ambientes propícios e desenvolva um repertório de atividades não-predeterminadas que possam ser facilmente adaptadas e direcionadas aos interesses e às necessidades de cada aluno ou grupo.

Quanto a seu conhecimento gramatical, leia nossas páginas sobre contrastes gramaticais e compre um livro de gramática como o da Betty Azar, do Raymond Murphy ou do A.J.Thomson. Em pouco tempo saberá responder às perguntas de seus alunos de forma clara e elucidativa.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB


Q#437: Como aprender inglês
Olá ! Estou estudando inglês, mas tenho como dificuldade conseguir "pensar" em inglês, e no momento enfrento dificuldades com as preposições e conjuções. Por favor, peço indicação de livros e gramáticas que me ajudem.
Obrigada. Kaliandra Gusmão da Costa <kaliandra*zaz.com.br> Oct 28, 2001
Prezada Kaliandra,
Livros e gramáticas não vão lhe ajudar. Sua dificuldade é característica de quem procura aprender inglês através do estudo fomal da estrutura da língua, em detrimento do contato com situações reais de comunicação em ambientes da língua.
Minha sugestão é que você troque de método e leia nossas páginas:
Como escolher um programa de inglês
Como procurar um programa de inglês no exterior.
Não deixe de ler também Assimilação Natural x Estudo Formal para entender mais claramente os rumos atuais do ensino de línguas e, se ainda achar que seu problema são preposições e conjunções, leia preposições e conjunções.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB

Q#436: Como fazer a semente germinar
Eu preciso desenvolver um projeto de pesquisa relacionado à problemática de trabalhar a Língua Inglesa em salas com uma grande quantidade de alunos.
Não tenho material algum para utilizar como suporte de pesquisa. Gostaria, então se possível, informações a respeito do assunto, autores, métodos e técnicas de eficiência comprovada, para então iniciar este trabalho.
Atenciosamente, Lilian Ap. Basniak <serteuva*PR.GOV.BR> Oct 23, 2001.

Prezada Lilian,
Obrigado por sua mensagem e desculpe a demora em responder.
Não conhecemos bibliografia específica sobre o tema, mas podemos lhe assegurar que qualquer esforço de ensino de línguas com grande quantidade de alunos terá um resultado deficiente, principalmente na abordagem comunicativa. Você pode oferecer conhecimento metalingüístico para grandes turmas mas não conseguirá ajudar os alunos a desenvolverem qualquer habilidade funcional pois não conseguirá criar um ambiente da língua e da cultura que se deseja assimilar, não proporcionando o input necessário.
Assim como a semente precisa de terra e umidade para germinar, a pessoa, seja criança, adolescente ou adulto, precisa de um ambiente de língua e cultura estrangeira para desenvolver familiaridade e habilidade funcional. De nada adianta colocar um grão de terra num envelope de sementes.
Veja sobre isso nossa página Language Acquisition x Language Learning.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB


Q#435: Usando música no ensino de inglês
Ricardo!
Meu nome é Andréia Ribas, sou estudante do curso de Língua Estrangeira da Unijuí, estou preparando a minha monografia e gostaria de algumas sugestões de bibliografias sobre o tema música na aula de L2: a importância e influência para a aquisição da L2, tem relevância para a aprendizagem? E se esse é um tema pertinente que mereça tal pesquisa, no quer for possível gostaria de suas sugestões, pois tenho acompanhado o seu trabalho no site e vejo a importância que o mesmo tem para o ensino de inglês no Brasil, pois tem orientado professores e alunos, e sem dúvida esse é um dos melhores sites sobre ensino/aprendizagem que eu já consultei, PARABÉNS pelo empenho e a preocupação que o site tem dedicado ao ensino de língua estrangeira.
Espero resposta em breve,
Andréia Ribas <aribas*express.com.br> Oct 21, 2001

Prezada Andréia,
Obrigado por sua mensagem amável e desculpe a demora em responder. Infelizmente nem sempre conseguimos responder a todas as mensagens dirigidas ao nosso site. A sua, entretanto, não poderia ficar sem uma resposta, mesmo que breve.
O uso de música como instrumento de prática com línguas estrangeiras é útil, como complemento. Escutar música permite desenvolver a habilidade de listening, enquanto que produzir música permite a repetição exaustiva sem se cair na artificialidade e no cansaço dos drills daqueles métodos que usam repetição oral mecânica. É positivo o fato da música exigir atenção minuciosa à pronúncia, quando tão freqüentemente esta é negligenciada.
Carece entretanto de um elemento fundamental: o aspecto criativo que caracteriza a linguagem humana. Por esta razão é útil apenas como complemento.
Existem vários materiais gravados, facilmente encontrados em livrarias especializadas. Nós aqui temos Jazz Chants, Grammarchants e Small Talk de Carolyn Graham, da editora Oxford.
Gostaria de lhe dirigir a atenção também à seguinte bibliografia:

COOPER, Lee - A Resource Guide to Themes in Contemporary Song Lyrics, 1950-1985 (Greenwood, 1986)
COOPER, Lee - Images of American Society in Popular Music: A Guide to Reflective Teaching (Nelson-Hall, 1982)
CRANMER, David & LAROY, Clement - Musical Openings: Using Music in the Language Classroom - Longman
GRIFFEE, Dale T. - Songs in Action - Prentice Hall
MURPHEY, Tim - Music & Song - Oxford English

Veja também os seguintes websites:
http://www.onestopenglish.com/section.asp?docid=146250 (oferece grammar chants cujos áudios em MP3 e a respectiva letra são oferecidos gratuitamente)
http://www.bwoolley.claranet.fr/musilang/music-language.htm
http://www.oup-usa.org/esl/isbn/0195024079.html
Atenciosamente,
Ricardo - EMB


Q#434: Como compensar a deficiência do ensino de inglês no Brasil
Prezado Ricardo,
Antes de mais nada gostaria de parabenizá-los pela qualidade do material disponível no site.
Gostaria também de dizer que cocordo inteiramente quando você diz que uma língua é algo que deve ser adquirida naturalmente pelo convívio pessoal.
Tenho 24 anos sou professor de português e sou, em tese, credenciado pelo MEC para ensinar inglês, porém o próprio fato de não estar escrevendo esta mensagem em inglês me desabona para tal tarefa.
Quanto tempo você acha que uma pessoa com relativa facilidade para línguas deveria passar no exterior antes de se arriscar a ensinar a língua que aprendera sem cometer nenhum crime com as pessoas que o procuram como professor?
Tenho uma vontade imensa de ir para os EUA ou para o Canadá, mas não posso pagar por um curso e ficar lá sem trabalhar. Por favor mande-me alguma dica do que fazer. Ficarei muito grato.
Já ia me esquecendo, estou cursando o Livro IX do curso Y e espero que aconteça comigo o milagre no Livro X e um belo dia eu ligue o rádio do meu carro e comece a entender aquela música que ouço há alguns anos e ainda não sei do que se trata.
Encarecidamente,
Celio Tizzo <tizzo*melfinet.com.br> Oct 9, 2001
Prezado Celio,
Obrigado por sua participação, dividindo conosco e com franqueza suas experiências. Seu relato é mais um a confirmar aquilo que apontamos em nossa página Deficiência no Ensino de Inglês no Brasil.
Em primeiro lugar, abandone o Livro 9 para não desperdiçar mais seus recursos financeiros e comece a planejar sua viagem de imersão em inglês no exterior. Com 4 meses em país de língua inglesa, já estará mais apto que a maioria; em 1 ano poderá alcançar um ótimo nível.
Lembre-se que você pode sempre encontrar formas de se dedicar a atividades que lhe ajudem a custear seus estudos e sua estadia. Na Inglaterra, por exemplo, a legislação permite que estrangeiros regularmente matriculados em curso de inglês obtenham uma licença de trabalho part-time (20 horas por semana). Leia nossa página Inglês e Intercâmbio para Adultos no Exterior para mais informações.
Lembre-se também que proficiência na língua e na cultura que você vai ensinar é um pré-requisito fundamental, mas não o único. Sua habilidade em lidar com aprendizes no plano psicológico-afetivo é de extrema importância também. Veja mais sobre isso em O que É um Bom Professor.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB

Q#433: O aprendizado de línguas na infância
Primeiro de tudo, gostaria de parabenizar o site. Realmente, para as pessoas que de alguma forma estão ligadas ao inglês, ele é de muita utilidade.
Bem, eu sou psicóloga, com curso de pós-graduação na Philadelphia em Early Childhood Education e atualmente vivo em Barcelona, terminando um mestrado e me preparando para entrar no doutorado. Sempre trabalhei com educação infantil e minhas últimas experiências foram ensinar inglês para crianças antes de serem alfabetizadas. Depois que cheguei na Espanha, continuo dando classes e não só eu, como também as mães, vemos muito resultado.
Meu projeto no mestrado é a criação de um material para ensinar essa idade. Esse material inclui um cd-rom, um vídeo, um guia para professores e o livro do aluno.
Gostaria, se possível, que vocês me dessem uma opinião sobre o tema. E teria algumas perguntas que aclararia minhas dúvidas:
1- Qual idade ideal para começar a aprender ingles? Que bibliografia vocês recomendam que explique o porquê de se ensinar uma segunda língua em idades tão precoces?
2- Existe muito material para crianças nessa idade (1 a 6 anos)? Qual a procura?
3- O que vocês me aconselhariam sobre o tema?
Muito obrigada pela atenção e espero ansiosa por uma resposta.
A contribuição de vocês é muito importante para mim.
Jordana de Castro Balduino <jordanabalduino*hotmail.com> Oct 6, 2001
 
Prezada Jordana,
Obrigado por sua participação. O interesse pelo nosso trabalho de pessoas qualificadas como você representa um incentivo para nós.
Nossos comentários com nossas opiniões a respeito do aprendizado de línguas por crianças está na página A Idade e o Aprendizado de Línguas, a qual foi recentemente atualizada e você deve ler caso ainda não tenha lido.
Existem vários porquês de se ensinar a uma criança uma segunda língua em paralelo ao desenvolvimento da primeira. O mais óbvio seria o fato de que bilingüismo é uma qualificação básica do indivíduo na sociedade moderna. Um segundo, seria o fato incontroverso de que a criança tem uma capacidade de assimilação superior à do adolescente e do adulto. Além disso, multilingüismo representa multicultura, ou seja, um universo conceptual enriquecido pela diversidade prismática que proporciona.
Falar sobre o aprendizado de línguas por crianças é falar sobre seu desenvolvimento cognitivo.
Pela sua formação, você deve saber melhor do que nós que a criança não é ensinada; ela aprende. A nós, cabe apenas criar o ambiente propício. Este ambiente, ao contrário dos ambientes de adultos, que tendem a ser conceptuais e abstratos, deve ser autêntico, material e concreto, com amplo espaço para improvisação e criação. No plano psocológico-afetivo deve haver uma conexão forte entre aprendiz e facilitador. Este, deve saber desempenhar um papel mais de assistente e menos de líder, abrindo espaço nos momentos em que o aprendiz se predispõe à ação e a assumir a liderança.
Predeterminar o rumo desta relação através de um plano didático seria como criar um manual sobre como conquistar uma namorada ou como construir amizades. Atividades predeterminadas, sem lugar para improvisação, são intrusivas, inibem a criatividade e desrespeitam diferenças individuais. É o ato de criar que proporciona o desenvolvimento cognitivo da criança e a língua que se pretende seja aprendida pela criança é a que deve ser usada no processo. Quaisquer materiais ou atividades planejadas por adultos, estariam na contramão, correndo o risco de se configurarem num subject-matter-centered plan, quando o que se deseja é um child-centered plan.
Portanto, nossa recomendação é que você aprofunde mais ainda seus estudos na área da psicologia infantil e da psicologia cognitiva ao invés de envidar esforços no desenvolvimento de materiais, os quais já existem em profusão. Estude formas de se criar ambientes propícios e atividades não-predeterminadas, que despertem o interesse e estimulem o envolvimento ativo da criança.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB

Q#432: Caso para um fonoaudiólogo
Trabalho com inglês há alguns anos e tenho um aluno que está começando o curso. Deve ter entre 20/21 anos e não consegue falar nenhun som de "i". Por exemplo, se pedir que ele fale igreja - ele dirá "egreja" e é assim também no inglês. O que posso fazer? Existe algum site/livro que possa me ajudar? Com Que tipo de atividades devo trabalhar na sala de aula para ajudar este aluno? Joshua <ana*cdilitoral.com.br> Oct 5, 2001

Prezado Joshua,
O inglês é uma língua que faz um largo uso de vogais frontais altas. Se em português seu aluno encontra dificuldade em produzir a vogal frontal alta, terá mais dificuldade ainda em inglês. Ele provavelmente tem problema de audição. É caso para um fonoaudiólogo.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB


Q#431: Conhecimento e proficiência - duas coisas diferentes
Em primeiro lugar, parabéns pela HP, sem dúvida é a melhor da net.
Tenhos conhecimentos razoáveis de inglês, mas gostaria de ler algums livros dedicados ao aperfeiçoamento. Quais vocês podem indicar? Marcelo Faria <mmfaria*embraer.com.br> Oct 5, 2001

Prezado Marcelo,
Obrigado por sua participação bem como por seus amáveis elogios.
Qual tipo de aperfeiçoamento que você busca?
- De seu conhecimento lingüístico, entender o funcionamento do idioma na sua estrutura gramatical, saber o que são phrasal verbs, modal verbs e perfect tense?
- Ou você deseja desenvolver sua proficiência, sua habilidade funcional, aquela capacidade comunicativa que lhe permite interagir com pessoas que falam inglês?
Se você deseja acumular conhecimento sobre o funcionamento do idioma, veja nossa bibliografia recomendada, na página Uma Bibliografia Indispensável.
Entretanto, se seu objetivo é aumentar sua proficiência, não o conseguirá através de estudo formal com o auxílio de materiais didáticos. Precisará de contato com pessoas em ambientes da língua e da cultura que você quer aprender. Veja nossa página Como Escolher um Programa de Inglês sobre como encontrar o que você precisa.
Atenciosamente,
Ricardo - EMB


Q#430: Profesores nativos e não-nativos
Estou a procura de material que fale a respeito de professores não-nativos que ensinam inglês. Qual a metodologia, enfim, assunto a esse respeito. Se possível me mandem uma relação de livros ou sites.
Muito Obrigada. Ecleia <ecleia*yahoo.com.br> Oct 1, 2001

PERGUNTAS & RESPOSTAS:
ÍNDICE
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